terça-feira, 22 de junho de 2010

minimal

por alguns milímetros e iris
ela me fitou por alguns milésimos de segundo

a força desse instante teve o impacto de uma era

ela previu num lampejo e me mostrou
no lapso em que nosso olhar se cruzou

o que hoje vejo num tempo dilatado

que o ditado "a vida pensa em nós"

se confirma afirma e reafirma numa faísca

em princípio somos minimalistas...

e o que eu era se tornou no que hoje sou depois dela

tudo por causa daquele ínfimo de segundo

ela se tornou minha casa minha causa meu caso quase nos casamos

ainda bem que não mas estamos juntos e misturados

o tempo que se ampliou é radiação que me atingiu

daquela bomba de luz que ela lançou na minha alma
no momento em que me viu

quinta-feira, 3 de junho de 2010

...

dedicação é um caminho
de pedras perdas e pedidos...
dentro da concha que rola e rala
há uma pérola que nasceu de uma pedra...
que espera comprida! de entrega perdida
adotada por uma carapaça que a protege do que peça
para que ela pulse passe e possa algum dia quem sabe
ao sabor de um fio colar-se e calar-se com outras dela num colar
e ceder seu encanto ao colo daquela que aninhará no peito aquele eleito pro leito deleite e leite
e depois da madorna o asseio e de novo o adorno
colar-se ao peito e ouvir lá de dentro o pulsar de um mistério...
quem sabe esse encosto é também carapaça
que engravida outra igual que espera um fio pra se consolar
?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

...as coisas...
















o problema não esta nas coisas em si
e sim na qualidade da relação com as coisas...

terça-feira, 11 de maio de 2010

o desbunde vale mais

minha viagem não tem início nem fim
sou uma transitoriedade autônoma...

passo peso peço piso posso pulso

sensação de missão nenhuma
mas de rebanho no fluxo...

a massa a meça a missa a moça e o mousse

guiado por uma vitalidade irreverente e eterna

perecível mas restaurável que persevera...

a barca a beca a bica a boca e a burca

admiro os aborígenes australianos

os tuaregues norte africanos
os índios americanos
e os ciganos europeus
nômades...

a saca a seca a cica a soca
o soco o sulco e o suco
mas o Rio é meu estandarte cultural

meu amor pelos outros nasce aqui...
a baça à beça a biça a bossa e a buça

quarta-feira, 5 de maio de 2010

numa tarde insossa...

...pelo gato o velho sapato escapa
escarpa que afasta em largos passos
o peso morto no labirinto do tempo
que vez em quando se confunde
no entremeio e volta no vento
quando se dá ares ao pensamento
provando-se nem tão morto assim
quando ressuscitado em ti
numa tarde morna de emoções quase frias
brasas que insistem em não se tornar carvão nem tão pouco cinza
o devir que não se tornou urge e ruge no momento inoportuno
e nunca será oportuno seu rugir pleonástico hiperbólico metafórico
figurativo de linguagem que se vale da poesia pra ironizar o que não brilhou
mas acinzenta e joga água fria na tarde de tua quietude...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

largo da carioca

ela abriu o tampo e me deu o espaço mulher da vida...
eu sou o tempo e entrei com tudo

nosso encontro trouxe eternidade ao momento e fomos...
ela bailava um tango de ventre alerta rubro vibrante
eu urrando um canto rito de coito em louvor
fêmea pronta se abre como flor quente aconchegante
pulsando ela foi escrevendo os termos de nosso contrato em cada gomo do meu pau
selando nosso pacto com um sonoro gozo
escandalosa dilatada e aflita me puxando pra dentro
eu afoito atolado em sua lagoa um puto feliz(pleonasmo!)
seu tesão é fluido que escoa e empoça em mim
mergulhar em você é voltar pro meu mundo
tu és meu continente eu sou seu conteúdo

terça-feira, 20 de abril de 2010

meta...

...a pena no papel
o dedo no teclado
na areia
no vidro embaçado
o grafite no tablado
o esprei na parede
o borrão na pedra
o giz no quadro
o pé na lua
na jaca
no pau da barraca
a mão na placa
a placa na via
o formão na madeira
a cara na tela
a tela no quadro
a cal no cão
a picareta na rocha
a tatuagem na bunda
o silk na blusa
a letra na música
a música na letra
o cd no espaço
o pincel no parachoque do caminhão
o verso no bloco
e o bloco na rua...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

muro do paraíso

...não sei o que é pior
se um Deus do lado de fora tão grande mas tão difícil e inacessível
ou um Deus do lado de dentro tão pequeno tão impotente e tão descartável...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

...praça da banheira...

Ri em janeiro choro em abril
não tem poesia!
muito barro na estrada
muito lixo na sarjeta
cheiro de parto prematuro de alma
foi no Haiti foi no Chile agora é aqui
cada um tem a tragédia que NÃO merece
a natureza quando resolve
tomar de volta o que lhe pertence
diz foda-se pra tudo todos e faz a maior sujeira
"quem falou que a vida é justa
não sabe que a vida é só vida
e que não cabe conotação moral
a vida é só vida e não faz questão
se você aprova ou não uma enchente ou uma estiação"...
ca-ra-le-o! tá foda!! dançou a poesia!
muito barro na estrada
muito lixo na sarjeta
cheiro de parto...
vamos que vamos meu povo!
o samba não pode parar...

terça-feira, 30 de março de 2010

...arte é um monte de mesma coisa
dita e feita de forma diferente
pegadas repisadas com a força da obsessão
e desespero ante a fuga dos segundos...
a essência da vida é o tempo
a essência do tempo é o fluxo
a do espaço o preenchimento
a alma do concreto é o cimento
e o artista é um pirracento que calcina a pisada
sapateando a pegada na areia movediça
com raiva da injustiça da onda
na transitoriedade no mar da vida
compartilha seu varejo no atacado da humanidade
e dá um salto pra eternidade
amenizando o desassossego
ante a maior das maldades...

 
Website Statistics Investing