segunda-feira, 26 de abril de 2010

largo da carioca

ela abriu o tampo e me deu o espaço mulher da vida...
eu sou o tempo e entrei com tudo

nosso encontro trouxe eternidade ao momento e fomos...
ela bailava um tango de ventre alerta rubro vibrante
eu urrando um canto rito de coito em louvor
fêmea pronta se abre como flor quente aconchegante
pulsando ela foi escrevendo os termos de nosso contrato em cada gomo do meu pau
selando nosso pacto com um sonoro gozo
escandalosa dilatada e aflita me puxando pra dentro
eu afoito atolado em sua lagoa um puto feliz(pleonasmo!)
seu tesão é fluido que escoa e empoça em mim
mergulhar em você é voltar pro meu mundo
tu és meu continente eu sou seu conteúdo

terça-feira, 20 de abril de 2010

meta...

...a pena no papel
o dedo no teclado
na areia
no vidro embaçado
o grafite no tablado
o esprei na parede
o borrão na pedra
o giz no quadro
o pé na lua
na jaca
no pau da barraca
a mão na placa
a placa na via
o formão na madeira
a cara na tela
a tela no quadro
a cal no cão
a picareta na rocha
a tatuagem na bunda
o silk na blusa
a letra na música
a música na letra
o cd no espaço
o pincel no parachoque do caminhão
o verso no bloco
e o bloco na rua...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

muro do paraíso

...não sei o que é pior
se um Deus do lado de fora tão grande mas tão difícil e inacessível
ou um Deus do lado de dentro tão pequeno tão impotente e tão descartável...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

...praça da banheira...

Ri em janeiro choro em abril
não tem poesia!
muito barro na estrada
muito lixo na sarjeta
cheiro de parto prematuro de alma
foi no Haiti foi no Chile agora é aqui
cada um tem a tragédia que NÃO merece
a natureza quando resolve
tomar de volta o que lhe pertence
diz foda-se pra tudo todos e faz a maior sujeira
"quem falou que a vida é justa
não sabe que a vida é só vida
e que não cabe conotação moral
a vida é só vida e não faz questão
se você aprova ou não uma enchente ou uma estiação"...
ca-ra-le-o! tá foda!! dançou a poesia!
muito barro na estrada
muito lixo na sarjeta
cheiro de parto...
vamos que vamos meu povo!
o samba não pode parar...

terça-feira, 30 de março de 2010

...arte é um monte de mesma coisa
dita e feita de forma diferente
pegadas repisadas com a força da obsessão
e desespero ante a fuga dos segundos...
a essência da vida é o tempo
a essência do tempo é o fluxo
a do espaço o preenchimento
a alma do concreto é o cimento
e o artista é um pirracento que calcina a pisada
sapateando a pegada na areia movediça
com raiva da injustiça da onda
na transitoriedade no mar da vida
compartilha seu varejo no atacado da humanidade
e dá um salto pra eternidade
amenizando o desassossego
ante a maior das maldades...

sexta-feira, 19 de março de 2010

luz além


...tudo em si é unidade
de um todo que se amplia
em mim em ti em nós no além
na luz que vem e diz no instante fugaz

que tudo em si é unidade
de um todo que se amplia

em mim em ti em nós no além

na luz que vem e diz no instante fugaz

que tudo em si é unidade
de um todo que se amplia...

sábado, 6 de março de 2010

tático


...recuo

pra retomar o pulso
realinhar o passo
rever o que peço
reaver o que posso
restaurar o poço
reatar o laço
reanimar o traço
tomar impulso
e continuar
no teu encalço...

sábado, 20 de fevereiro de 2010






bom senso
é uma arma
requintadíssima
de auto-preservação

domingo, 14 de fevereiro de 2010

com as cores do engov

Simpatia é quase amor

É o nome do meu bloco

Nomezinho interessante

Justamente pelo “QUASE”

Simpatia é o que atrai

Amor é o que arrebata

Mas o “QUASE” é que excita

Quem dá o quê de mistério

Provoca o frenesi

E desafia a ressaca...

Aqui não cabe definir

Quando muito lucubrar

Pois só os festejos de Momo

Pela orla de Ipanema

Numa ôla lilás e amarela

Dando o tom de aquarela

Na paisagem consagrada

Pode mesmo explicar...

Passeata de alegria

Procissão barulhenta

Liturgia de batismo

Com lúpulos água do mar e suor

Vamos que vamos simpatia!

Sendo quase amor...



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

alquimista

sou um vampiro que ampara os apuros
que apara o que sobra apura o que fica
que não se contenta e apela pros deuses
da farmácia divina o formol que sustenta
além dos limites e como Noé
bem depois do dilúvio na barca do sempre
só quero o durante
um pouco do antes já é o bastante
mas nada pra depois
deponho o que envelhece reponho o que remoça
pro beijo da moça que mesmo que antiga
entoe a cantiga comigo tão jovem e despudorada
encantada com aquilo que já não fenece
promessa cumprida aqui e agora e só...
 
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