terça-feira, 25 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

elevador

paixão não permite espera
e um cio existencial
sua intensidade tem
o tamanho do mundo
dor dos deuses
que me desloca cegamente
em tua direção...
o que é possível
entre um homem
e uma mulher não se prevê...
paixão é o imprevisível eternamente esperado
drama zen concentrado numa taça com a tua transparência
cheia até a metade com vinho tinto e a outra repleta de voce
que eu bebo gulosamente e me embebedo...
sempre iluminado pela baça luz de uma vela
que mais se assemelha à minha miopia
do que a minha clareza
a dor da paixão é a dor da elevação...

domingo, 9 de agosto de 2009

penhoradamente


Agradeço a meu pai
por ter me ensinado
a não me levar
muito a sério
Agradeço a minha mãe
por ter me ensinado
a me levar
muito a sério
Agradeço a meus irmãos e irmãs
por não me levarem
nada a sério

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

viola da gamba



















adoro o cello
porque o som
sai dentre as pernas...
talvez por isso
seu timbre
seja tão humano

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

lamparina

à meia-noite meio-dia é sonho
ao meio-dia meia-noite é sonho
à meia luz
meia-noite e meio-dia se encontram...
e nasce o delírio
meio noite meio dia
meio escuro meio claro
meio sussurro meio grito
meio tijolo meio barro
meio louco meio são
ele rema contra o tempo
e a meio caminho
meio claro meio escuro
ele vislumbra o fim ou o começo
meio cansado dorme
sonha com o dia
acorda meia-noite
e lembra que a essa hora
meio-dia é sonho

terça-feira, 21 de julho de 2009

sêmen


o silo
é o asilo daquilo
que exila no solo a cela da vida
protege e guarda no falo
o gérmen que livre da sola e do salto
aguarda o pulo...
um grau para grão ir da planta ao pão ao pau
que alimenta sustenta e contém o devir
que em ti excita a fome...
come bebe lambuza e lava o prato
contempla o silo assimila o momento
digere o instante e percebe o auxílio
daquilo que acode sem dor
faz do alimento o remédio
pra que não faças do remédio o alimento

sábado, 18 de julho de 2009

...

a poesia

não define
não elogia
não pajeia
não plagia
não claudica
não critica
não explica
não complica
não fabrica
não atura
não fatura
não manufatura não calunia não vacila e não sacia
a poesia não e NÃO!!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

passeio

e vamos nós
felizes da vida
de mãos dadas com a morte
como se o tempo e seus perigos
não rondassem nossa existência
querendo o apego e o chamego
agarrando-nos inteiramente
a cada encontro
como se fôssemos eternos
e inesgotáveis
vivendo!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

(des)feito



...eu sou poeta
aquele que desaparece
pra poesia aparecer
ela fica
eu vou...
e minha grandeza aumenta
na medida em que demonstro
que minha arte
é muito maior que eu...
 
Website Statistics Investing